Os jovens brasileiros na União Europeia têm encontrado muitas condições favoráveis para o desenvolvimento pessoal e profissional.
Entre os principais fatores estão a valorização salarial no mercado de trabalho, a mobilidade facilitada e, sobretudo, o amplo acesso ao ensino e capacitação de alto nível.
Neste artigo, exploraremos as excelentes possibilidades em bolsas de estudo e intercâmbios que a Europa oferece para sua qualificação profissional, independentemente de possuir ou não a cidadania italiana.
Além disso, traremos orientações sobre como se preparar adequadamente para aproveitar ao máximo as oportunidades que estão esperando por você.
Contexto da mobilidade estudantil europeia
A busca por qualificação internacional é uma tendência no Brasil, com o interesse por intercâmbios crescendo em 17% em 2025, segundo dados da pesquisa da Associação Brasileira das Agências de Intercâmbio (Belta).
Nesse cenário, o “Velho Continente” é um dos principais polos de atração, pois oferece um leque de oportunidades de alta qualidade e uma imersão cultural incomparável. Somente entre 2021 e 2025, o número de brasileiros na Europa cresceu quase 30%.
Para aqueles que buscam se preparar melhor para o mercado de trabalho em universidades e centros tecnológicos, as possibilidades de mobilidade estudantil na Europa deixam de ser uma aventura para se tornarem investimentos estratégicos de longo prazo.
Como veremos mais adiante, a própria União Europeia incentiva ativamente essa dinâmica com programas como o Erasmus+ e leis que facilitam a entrada e residência de estudantes.
Mas antes de analisarmos essas possibilidades, vamos compreender melhor as distinções entre trilhar essa rota com ou sem um passaporte europeu? Continue a leitura!
Diferença entre jovens com e sem cidadania italiana
Para os jovens brasileiros na Europa, a posse da cidadania italiana representa uma vantagem transformadora. Ela dá outra dinâmica na jornada acadêmica, simplificando processos burocráticos e ampliando o acesso a oportunidades exclusivas no continente europeu.
As principais diferenças que moldam essa experiência são:
- Visto e burocracia: cidadãos italianos não precisam de visto para estudar em países da União Europeia. Já os não-cidadãos enfrentam um processo consular demorado para obter a permissão de residência.
- Custos acadêmicos: em muitas universidades públicas, os europeus pagam taxas de matrícula bem mais baixas, ou até mesmo estudam de graça. Por outro lado, estudantes estrangeiros arcam com mensalidades consideravelmente mais altas.
- Acesso ao trabalho: a cidadania permite trabalhar sem restrições de carga horária durante os estudos. Para brasileiros que dependem do visto de estudante, geralmente o limite é de 20 horas semanais.
- Bolsas de estudo: ter o passaporte italiano abre portas para programas de financiamento exclusivos para cidadãos da UE, enquanto brasileiros sem cidadania concorrem a bolsas de estudo internacionais, que podem ser mais disputadas.
Apesar dos desafios, o sonho europeu é totalmente viável para quem não possui o passaporte. O caminho só é um pouco mais longo, incluindo a busca por financiamentos internacionais, vistos de estudo e a participação em programas de intercâmbio específicos.
Para ambos, porém, o planejamento financeiro é igualmente crucial. Por isso, explorar diferentes tipos de bolsas de estudo na Itália e em outros países é um passo fundamental para viabilizar esse projeto acadêmico.
Bolsas de estudo na Itália e na Europa
A grande oferta de bolsas de estudos na Europa facilita um bom planejamento, com programas renomados que atendem a diferentes perfis e objetivos acadêmicos.
Conheça algumas das principais oportunidades disponíveis:
Erasmus+
Este programa mundialmente conhecido é acessível para brasileiros sem passaporte europeu através de pós-graduação. Estamos falando do Erasmus Mundus, um mestrado internacional oferecido por universidades europeias em parceria com instituições de outros países.
Ele proporciona ensino de excelência, com períodos de estudo, pesquisa e estágios em diferentes locais. O programa pode conceder bolsas integrais, que cobrem mensalidade, viagem, visto e ajuda de custo. Ao concluir, o estudante recebe um diploma reconhecido por diversas universidades.
Bolsas MAECI
O governo da Itália oferece anualmente bolsas para cursos de pós-graduação a cidadãos estrangeiros e italianos — inclusive para os residentes do exterior, cuja regularidade é feita através do AIRE. Os benefícios incluem um auxílio financeiro mensal e a isenção da maioria das taxas universitárias.
Invest Your Talent in Italy (IYT)
Focado em mestrados em áreas estratégicas e ministrados em inglês, este programa se destaca por incluir um estágio obrigatório em empresas italianas. A bolsa oferece um subsídio mensal de € 1.000 e isenção de mensalidades.
Diritto allo Studio (DSU)
O DSU (Diritto allo Studio Universitario) é um auxílio financeiro oferecido por instituições como a Politecnico di Milano para estudantes com dificuldades econômicas. Ele pode incluir bolsa em dinheiro, serviço de alimentação e desconto em alojamento.
Os critérios de concessão consideram renda e mérito acadêmico. Além disso, há benefícios extras, como integração para intercâmbios internacionais e prêmio por conclusão do mestrado no prazo.
Deutscher Akademischer Austauschdienst (DAAD)
O DAAD (Deutscher Akademischer Austauschdienst) é um programa alemão, considerado uma das maiores organizações do mundo dedicadas ao financiamento da mobilidade acadêmica internacional.
Ele promove bolsas de estudo e pesquisa para estudantes e pesquisadores de todos os continentes, fortalecendo a cooperação entre instituições de ensino superior e incentivando o intercâmbio cultural e científico — excelente oportunidade em mestrado na Europa para brasileiros.
Lembre-se que cada programa possui regras, datas e prazos específicos. Por isso, é preciso pesquisar editais e organizar a documentação com antecedência.
Para quem busca uma imersão inicial antes de se comprometer com um curso de longa duração, existem também excelentes alternativas. Cursos de verão e intercâmbios curtos são ótimas portas de entrada para a vida acadêmica no continente, como veremos a seguir.
Intercâmbio e programas de curta duração
Para quem busca uma experiência na Europa sem o compromisso de um curso longo, os programas de curta duração são uma excelente porta de entrada, funcionando como um “test-drive” da vida no exterior.
Essas oportunidades, que geralmente não exigem cidadania, incluem:
- Cursos de verão e idiomas: universidades e escolas renomadas oferecem programas intensivos de verão, como a Oxford Royale Academy e a Kaplan International;
- Mobilidade acadêmica: muitas universidades brasileiras possuem acordos que permitem ao aluno cursar um semestre na Europa, incluindo os cobiçados programas de intercâmbio na Itália, muitas vezes com isenção de taxas da instituição de destino.
- Cursos com visto de turista: para estadias de estudo com menos de 90 dias, um visto de estudante geralmente não é necessário, o que reduz os custos e a complexidade.
Essas oportunidades permitem conciliar uma vivência internacional de estudos com flexibilidade e investimento menor em comparação com cursos de longa duração. Entretanto, seja para poucos meses ou para uma graduação completa, a organização da documentação é uma etapa indispensável.
Documentos e processos necessários
A preparação dos documentos para estudar na Europa pode ser uma etapa um pouco burocrática. Para quem não possui cidadania europeia, o processo é mais complexo e demorado. Já para os cidadãos italianos, a burocracia é muito menor. Entenda as principais diferenças nos processos:
- Para brasileiros sem cidadania
O principal desafio é obter o visto de estudante para estadias superiores a 90 dias. O processo exige:
- passaporte;
- carta de aceitação da universidade ou matrícula em escolas;
- seguro saúde;
- comprovação financeira.
- Para brasileiros com cidadania
A grande vantagem é a dispensa do visto. A dupla cidadania italiana de jovens garante o direito de residir nos 27 países da UE enquanto estuda. Os demais critérios a serem seguidos são os de inscrição nas instituições de ensino.
O reconhecimento da cidadania italiana não apenas elimina as barreiras burocráticas mais complexas, mas também representa uma economia substancial, já que os custos muitas vezes costumam adiar o sonho de estudar no continente.
Custos e economia
O impacto financeiro para jovens brasileiros com cidadania italiana que procuram por estudo, bolsas e mobilidade na Europa é uma das vantagens mais significativas.
A diferença nos gastos fica clara ao comparar as principais despesas que um estudante sem esse benefício terá ao longo de sua jornada acadêmica. Veja os pontos principais:
Mensalidades universitárias
Cidadãos europeus pagam taxas mais baixas, ou até estudam de graça em países como a Alemanha. Em Portugal, escolas públicas têm taxas que variam entre € 170 e € 350. Na Itália, as anuidades em instituições como a Universidade de Pádua e Universidade de Bolonha podem variar entre € 1.000 e € 3.000.
Já estudantes não-europeus podem arcar com mensalidades mais elevadas e ainda passarem por processos seletivos baseados em cotas, diminuindo a disponibilidade de vagas.
Moradia e transporte
Os custos de aluguel e transporte são geralmente similares para todos, variando principalmente de acordo com a cidade escolhida pelo estudante. Contudo, a cidadania pode facilitar o acesso a residências estudantis subsidiadas, o que representa uma importante economia no orçamento mensal.
Comprovação financeira
Um grande desafio para não-cidadãos é a comprovação financeira exigida para o visto, que demanda um valor elevado em conta.
Essa exigência de comprovar uma grande quantia de uma só vez é dispensada para quem possui o passaporte europeu, simplificando o planejamento. Alguns exemplos:
- Irlanda: para cursos com duração superior a 8 meses, exige-se comprovar € 10.000 disponíveis;
- Itália: é necessário comprovar cerca de € 460 por mês;
- França: requer-se comprovação de pelo menos € 615 mensais;
- Portugal: a referência de cálculo é baseada no salário mínimo (em 2025, cerca de € 870 mensais);
- Alemanha: é exigido possuir o equivalente a € 992 por mês, geralmente por meio de uma “conta bloqueada” ou carta de bolsa/compromisso financeiro.
A economia para ítalo-brasileiros com cidadania permite que eles invistam em outras áreas e aproveitem mais a experiência. As vantagens vão além dos números!
Como se preparar para estudar na Europa
Vamos fazer juntos um planejamento estratégico para aumentar consideravelmente as chances de sucesso? Considere os seguintes passos práticos para se organizar:
- Preparo acadêmico e de idiomas
O domínio do idioma do curso é essencial. Por isso, invista em certificados de proficiência, como o IELTS (International English Language Testing System) – baseado na metodologia de avaliação desenvolvida pela Cambridge English –, o mais popular do mundo e frequentemente exigido pelas instituições.
Se você é universitário no Brasil, um currículo acadêmico sólido, com boas notas e atividades extracurriculares, aumenta significativamente as chances de admissão nas universidades europeias.
- Planejamento financeiro
Como vimos ao longo deste artigo, considerar somente os custos com estudos é um erro que pode adiar o sonho de estudar na Europa sem ser cidadão italiano. Cada país possui regras e valores adicionais aos praticados pelas faculdades.
- Pesquisa de chamamentos, editais e oportunidades
A pesquisa por universidades, cursos e bolsas de estudo deve começar com muita antecedência para não perder nenhuma oportunidade. O Campus France é um exemplo de portal que permite fazer uma busca detalhada, com oportunidades direcionadas para brasileiros.
- Documentação física
Muitos países não são digitalizados como o Brasil. Por isso, esqueça o mundo do QR Code durante a organização da documentação. Forme uma pasta com históricos, diplomas, Certidões de Estado Civil e certificados impressos, traduzidos, juramentados e apostilados. Em alguns países, como na Irlanda, até a apresentação impressa do e-mail de confirmação de matrícula na escola de idiomas pode ser obrigatória na passagem pela imigração.
Sendo cidadão italiano ou não, uma preparação bem-feita é a chave para o sucesso. Mas se você é um ítalo-descendente que ainda não teve sua cidadania reconhecida, fale hoje mesmo com a Nacionalitália. Vamos analisar a viabilidade do seu caso para que você possa dar START no seu projeto de ser um jovem brasileiro estudando na Europa!
Perguntas frequentes
- Quais as vantagens de ter cidadania italiana para estudar na Europa?
Os benefícios da cidadania italiana na educação incluem a dispensa de visto de estudante, acesso a mensalidades universitárias mais baixas ou gratuitas, permissão para trabalhar sem restrições e elegibilidade para um número maior de bolsas de estudo.
- Brasileiros sem cidadania podem participar do Erasmus+?
Sim, brasileiros podem participar do Erasmus+. A forma mais comum é através de acordos entre universidades brasileiras e europeias ou por meio do competitivo programa Erasmus Mundus Joint Masters, aberto a estudantes de todo o mundo.
- Quanto custa estudar em uma universidade europeia sem cidadania italiana?
Os custos variam muito. Sem o passaporte, as mensalidades em universidades públicas podem ultrapassar facilmente os € 3.000 por ano na Itália.
- Quais bolsas de estudo aceitam brasileiros sem cidadania europeia?
Existem várias, como o europeu Erasmus Mundus e o alemão Deutscher Akademischer Austauschdienst (DAAD).
- Ter cidadania italiana facilita conseguir visto para outros países da União Europeia?
A cidadania italiana elimina a necessidade de visto para outros países da União Europeia. Como cidadão europeu, você tem o direito de livre circulação e residência para morar, estudar ou trabalhar em qualquer país-membro do bloco.
- Quais documentos são necessários para brasileiros estudarem na Itália?
Sem cidadania, são necessários visto específico, carta de aceitação, comprovação financeira, seguro saúde e documentos acadêmicos traduzidos e apostilados. Para cidadãos, o processo é simplificado, focando nos documentos para a matrícula universitária.
- Jovens com cidadania italiana pagam menos nas universidades europeias?
Sim. Em muitos países da União Europeia, cidadãos europeus pagam as mesmas taxas que os estudantes locais, que são significativamente mais baixas. Em alguns casos, o ensino superior público pode ser até mesmo gratuito para eles.
- É possível morar e trabalhar na Europa durante os estudos sem cidadania italiana?
Sim, mas com restrições. O visto de estudante para não-cidadãos geralmente permite trabalhar por um número limitado de horas semanais, como 20 horas. Já a cidadania italiana garante essa atividade sem restrições.

Claudia Scarpim
Claudia Scarpim é fundadora no Nacionalitalia e tem como principal missão proporcionar aos clientes, serviços de excelência em cidadania italiana, mantendo foco permanente na agilidade, confiabilidade e precisão na prestação de serviços, sendo referência em assuntos relacionados à cidadania italiana.